Guia prático, 13 semanas

Os primeiros 90 dias de um laboratório de IA

Você fechou o livro na segunda. Isso aqui é o que fazer na terça.

Noventa dias é tempo suficiente para colocar uma ou duas dores reais à prova e curto o bastante para a decisão continuar reversível. Diretoria cética não aprova visão de dois anos. Aprova experimento de noventa dias com régua clara, porque o risco cabe no bolso.

O plano assume o cenário mais comum: uma pessoa começando, com patrocínio ainda por conquistar, e o trabalho do laboratório acontecendo em paralelo à vida que continua existindo. Os prazos são de calendário real, não de PowerPoint.

Do livro O Laboratório que Sobrevive, apêndice “O plano dos primeiros 90 dias” e capítulo 2.

  1. Semanas 1 e 2Argumento · cap. 1, 3

    O terreno

    Antes de propor qualquer coisa, descubra o que já morreu aí dentro e quem manda em quê.

    O que fazer

    • Faça o inventário do cemitério: as iniciativas mortas, o padrão de morte de cada uma e as dores que continuam abertas.
    • Monte o mapa dos três diretores: o que cada um ganha, teme e precisa ver para virar aliado.
    • Sente do lado da operação pelo menos duas vezes. De verdade, não na sala de reunião.

    O que entregar

    A lista de dores validadas e o mapa político.

  2. Semana 3Argumento · cap. 2

    O argumento

    Seu primeiro produto não é uma automação. É uma página.

    O que fazer

    • Escolha a melhor primeira dor pelos cinco critérios. Raramente é a maior dor da empresa.
    • Faça a conta conservadora. Se ela só fecha com otimismo, ela não fecha.
    • Escreva a proposta de uma página com as duas réguas: a de sucesso e o critério de morte.
    • Teste a página com alguém de fora do contexto antes de levar para a diretoria.

    O que entregar

    A página aprovada, ou a lista exata de objeções a resolver.

  3. Semana 4Argumento · cap. 3, 11

    O endereço e o contrato

    Onde o laboratório mora decide quem protege ele no primeiro conflito.

    O que fazer

    • Negocie onde o laboratório mora: perto de quem sente a dor, com linha direta para quem paga a conta.
    • Assine o contrato de operação: funil próprio, métrica própria e acessos, por escrito.
    • Registre o baseline da primeira dor antes de construir qualquer coisa. Número sem antes é anedota.

    O que entregar

    O contrato e o baseline, por escrito.

  4. Semanas 5 e 6Estrutura · cap. 6, 7, 8, 9

    A máquina mínima

    Fila ordena por quem grita mais alto. Funil filtra por critério publicado.

    O que fazer

    • Monte o funil numa tarde: critérios, pesos e âncoras publicados antes de pontuar qualquer dor.
    • Desenhe a semana com blocos protegidos e um horário para triagem. A urgência ganha endereço, não proibição.
    • Valide o primeiro projeto com as perguntas do dia seguinte ao aplauso.
    • Escolha o degrau na escada de autonomia: o mais baixo que resolve.

    O que entregar

    O ranking público e o primeiro projeto validado.

  5. Semanas 7 a 10Operação · cap. 7, 8, 9, 12

    A construção que prova

    Um projeto âncora e um ou dois pequenos. Pronto é quando roda, é medido e alguém usa.

    O que fazer

    • Construa o âncora e um ou dois pequenos, com Vibe Doc, monitoramento e documentação como definição de pronto.
    • Monte o conjunto de ouro com o dono da dor: os casos que dizem se a IA está acertando.
    • Pactue o destino das horas antes de entrar em produção. Hora liberada sem destino vira ameaça.

    O que entregar

    As primeiras entregas rodando, medidas e adotadas.

  6. Semanas 11 e 12Sobrevivência · cap. 8, 11

    A prova

    Se você não provar, alguém corta. De preferência alguém que não leu o painel.

    O que fazer

    • Monte o painel de uma página com as quatro camadas de valor: projetado, validado, realizado e capturado.
    • Prepare a primeira comunicação de resultado com o dono da dor no centro, não o laboratório.

    O que entregar

    O painel publicado e o resultado comunicado.

  7. Semana 13Sobrevivência · cap. 11

    A prestação de contas

    Prometido contra entregue, começando pelo que falhou. Credibilidade é composta.

    O que fazer

    • Apresente prometido contra entregue, começando pelo que falhou.
    • Revisite as duas réguas em voz alta, na frente de quem aprovou.
    • Faça a recomendação do próximo ciclo. O argumento nunca fica pronto: ele se renova aqui.

    O que entregar

    Uma decisão documentada: continuar, revisar, realocar ou encerrar, apoiada nas evidências do ciclo.

O plano vai travar. Isso é informação.

Esse é o caminho feliz

No meio dele tem gente, medo e objeção. Quando travar, o ponto do travamento diz qual capítulo reler: o 12 para medo, o 13 para os padrões que voltam por dentro, o 15 para a objeção que você não viu chegando.

O dia 90 não é guilhotina

A régua tem quatro saídas, e vale nomeá-las antes: interrupção, revisão, pivô e encerramento. Só a última devolve o orçamento. Parar corretamente também pode ser sucesso do método.

Esse plano é o apêndice. O livro é o porquê de cada semana.

Cada bloco daqui remete a um capítulo com caso, conta e exercício. Deixa o e-mail e eu aviso quando o livro sair.

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