Existe uma assimetria estrutural em qualquer laboratório de IA: o custo é todo visível e o retorno é todo invisível. As licenças aparecem no relatório de despesas. O tempo de gente boa aparece na alocação. A atenção da liderança, que é o recurso mais caro e menos contabilizado de uma empresa, aparece nas agendas. Já o retorno, as horas economizadas, o erro evitado, o ciclo encurtado, não aparece em lugar nenhum sozinho. Tudo o que um laboratório consome vira número automaticamente. Nada do que ele devolve vira número sem instrumento.
Percebi cedo que, sem conseguir responder a pergunta com dados, o laboratório correria o risco de ser classificado na pior categoria possível: projeto de entusiasmo. A ameaça real não era falhar. Era estar dando certo e não conseguir provar. Dá para morrer de sucesso não medido.
Uma diretoria na onda da cobrança ou do ceticismo tende a se impressionar menos com demonstração de capacidade e mais com redução de incerteza. E demo e argumento operam em direções opostas nesse quesito: a demo aumenta a expectativa, o argumento reduz a incerteza. Expectativa é um passivo que você vai ter que pagar depois, com juros. Confiança é um ativo que rende.
Daí a tese que atravessa este livro: o seu primeiro produto não é uma automação. É o argumento.
Trecho levemente editado para a web. Manuscrito v0.5.9.
